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Dinheiro e cobrança

Quanto cobrar por aula particular em 2026: o cálculo que quase ninguém faz

A conta certa não começa perguntando quanto os outros cobram. Começa perguntando quantas horas por mês você consegue, de verdade, dar aula.

Equipe EDUCAflowOne · 4 min de leitura

Toda vez que a pergunta aparece num grupo de professores, a resposta vem no mesmo formato: alguém diz o próprio preço, outra pessoa diz que é caro, uma terceira diz que é barato, e ninguém sai dali sabendo o que fazer. O problema é que preço de aula particular não é uma tabela. É uma conta, e ela tem quatro números.

O primeiro número: quantas horas você consegue vender

Não é quantas horas você tem. É quantas horas alguém quer.

Aula particular acontece na janela em que o aluno está livre: entre 7h e 8h da manhã, entre 12h e 13h, e das 18h às 21h. Somando fim de semana, um professor em tempo integral vende entre 20 e 28 horas por semana. Quem dá aula como segunda renda vende entre 6 e 12.

Escreva o seu número. Ele é o teto do seu faturamento, e quase todo mundo o superestima.

O segundo número: o tempo que você trabalha sem receber

Uma aula de 60 minutos custa muito mais que 60 minutos:

  • procurar e preparar material: 15 a 30 minutos
  • corrigir tarefa e responder mensagem: 10 a 20 minutos por aluno, por semana
  • remarcar, confirmar, lembrar: 5 minutos que sempre viram 20
  • cobrar, conferir Pix, mandar recibo: uma tarde inteira por mês

Uma pesquisa informal em qualquer grupo de professor mostra a mesma proporção: para cada hora dada, existe entre meia hora e uma hora de trabalho não faturado. Se você ignora esse tempo, você não está cobrando por aula. Está cobrando por aula e trabalhando de graça no resto.

O terceiro número: o seu custo por hora

Some tudo que sai da sua conta por causa da aula, por mês:

ItemValor típico por mês
Internet e telefoneR$ 120
Plataforma de aula, materiais, cópiasR$ 60 a R$ 150
Deslocamento, se atende presencialR$ 150 a R$ 500
Formação continuada, livros, cursosR$ 100
Imposto, se MEIcerca de R$ 76

Divida o total pelas horas vendáveis do mês. Esse é o piso absoluto: abaixo dele, cada aula dada tira dinheiro do seu bolso.

O quarto número: o quanto você quer ganhar

Aqui entra a parte que professor tem dificuldade de dizer em voz alta. Escolha um valor mensal líquido. Some o custo. Divida pelas horas vendáveis realistas do mês. Some de 20 a 30 por cento pelo tempo invisível da segunda seção.

Um exemplo fechado, para o número sair do abstrato:

  • meta líquida: R$ 5.000
  • custo mensal: R$ 700
  • horas vendáveis realistas: 80 por mês (20 por semana)
  • (5.000 + 700) dividido por 80 = R$ 71 por hora
  • somando 25 por cento de tempo invisível: R$ 89 por hora

Arredonde para R$ 90. Esse é o seu preço, e ele não tem nada a ver com o que o professor do grupo do WhatsApp cobra.

Onde a faixa de mercado entra

Ela entra depois, como termômetro, não como régua. Em 2026, aula particular de inglês online no Brasil circula entre R$ 60 e R$ 140 a hora, com reforço escolar de fundamental mais perto de R$ 50 a R$ 80 e preparação para exame de proficiência ou aula para executivo passando de R$ 150.

Se a sua conta deu muito acima da faixa, o problema não é o preço: é o número de horas vendáveis, que provavelmente está baixo demais. Se deu muito abaixo, você está subsidiando o aluno.

Preço baixo não traz mais aluno. Traz aluno que some quando aparece alguém dez reais mais barato. Quem compra por preço nunca é fiel ao preço, é fiel ao próximo preço.

Quatro formas de cobrar mais sem aumentar a hora

  1. Venda pacote, não aula avulsa. Oito aulas pagas na frente resolvem a sua previsibilidade e a assiduidade do aluno de uma vez.
  2. Cobre a hora cheia mesmo em aula de 50 minutos. É o padrão de consultório, de estúdio e de terapia, e ninguém estranha.
  3. Tenha uma política de cancelamento escrita. Cancelou com menos de 24 horas, a aula conta. Sem isso, o seu preço é uma sugestão.
  4. Cobre pelo que está em volta. Correção de redação, relatório para os pais, material personalizado: ou está no preço, ou é um serviço à parte.

Quando e como reajustar

Uma vez por ano, sempre no mesmo mês. Janeiro e agosto funcionam bem, porque coincidem com a virada de semestre e o aluno já espera mudança.

Avise com 30 dias de antecedência, por escrito, com uma frase só: "A partir de março o valor da hora passa a ser R$ 95. Continuo com o mesmo horário reservado para você." Não peça desculpa e não explique inflação. Quem vai embora por 10 por cento já estava indo embora por outro motivo.

O erro que custa mais caro que o preço errado

É não saber quanto se ganhou. Professor que anota aula em caderno e pagamento na memória descobre o próprio faturamento com três meses de atraso, e quase sempre para menos.

Antes de discutir preço, tenha o número. Quantas aulas você deu no mês passado, quanto entrou, quem ainda não pagou. Com esses três dados na tela, a conversa sobre preço deixa de ser opinião.

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