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Gestão da aula

Planejamento de aula particular: um modelo que cabe em 15 minutos e sobrevive à semana cheia

Plano de aula bonito demais não é usado. O que funciona é curto, tem sempre a mesma estrutura e responde uma pergunta: o que o aluno sai sabendo hoje?

Equipe EDUCAflowOne · 3 min de leitura

Todo professor já montou um plano de aula caprichado, com objetivo, competência e avaliação, usou uma vez e nunca mais. O motivo não é preguiça. É que o formato foi desenhado para escola, com coordenação para prestar contas, e aula particular não tem coordenação: tem um professor cansado às onze da noite decidindo o que fazer amanhã.

O modelo abaixo tem quatro blocos, cabe em meia página e é rápido o bastante para você realmente usar.

Bloco 1: de onde a gente parou

Duas linhas. O que foi visto na última aula, o que ficou de tarefa, e o que o aluno errou e vale retomar.

Sem esse bloco, os primeiros dez minutos de toda aula viram arqueologia. Com ele, a aula começa andando.

"Aula passada: past simple com verbos irregulares. Tarefa: 8 frases. Erra sempre 'go' e 'buy'. Retomar no aquecimento."

Bloco 2: o que ele sai sabendo hoje

Uma frase, começando com um verbo de ação, e no nível do aluno, não do conteúdo:

  • ruim: "trabalhar o present perfect"
  • bom: "contar uma experiência de viagem usando 'I have been to'"

A diferença importa porque a segunda versão já contém a atividade e já contém como saber se deu certo. A primeira só nomeia um assunto.

Se você não consegue escrever essa frase, a aula ainda não está planejada.

Bloco 3: os três tempos

Aula particular de 50 a 60 minutos cabe bem em três partes:

TempoO quêDuração
Aquecimentoretomar o erro da aula passada, atividade de fala curta10 min
Núcleoo objetivo do bloco 2, com prática guiada30 min
Fechamentoo aluno usa sozinho, tarefa combinada10 a 15 min

O fechamento é o que quase todo mundo corta quando o tempo aperta, e é o mais importante: é o único momento em que dá para ver se ele aprendeu de verdade ou só acompanhou você.

Bloco 4: o plano B

Uma linha, com duas saídas:

  • se render antes: o que fazer com os dez minutos que sobrarem
  • se travar: onde você recua, geralmente para uma versão mais simples da mesma coisa

Sem plano B, aula que trava vira improviso, e improviso com aluno travado quase sempre vira aula de gramática, que é justamente o que não estava funcionando.

Um plano inteiro, escrito

Aluno: Camila, B1, terça 19h De onde paramos: past simple ok. Confunde "been" e "gone". Hoje ela sai sabendo: contar três experiências de viagem com present perfect, sem confundir been e gone. Aquecimento (10): um minuto sem parar sobre "a última viagem". Núcleo (30): contraste been/gone com exemplos dela; 10 frases sobre a própria vida; correção no fim. Fechamento (15): ela conta uma viagem inteira sem interrupção. Tarefa: áudio de 1 minuto no WhatsApp. Plano B: se travar, volta para "have you ever...?" em pergunta e resposta.

Isso leva doze minutos para escrever e resolve a aula inteira.

O que fazer com o plano depois da aula

Duas linhas no fim, ainda com a aula fresca: o que funcionou e o que não funcionou. Esse é o registro que vale ouro três meses depois, quando o aluno pergunta se está evoluindo e você precisa mostrar de onde ele saiu.

Onde o plano deve morar

No mesmo lugar do aluno. Plano em caderno é perdido, plano em bloco de notas do celular é ilocalizável, plano em pasta do computador não abre quando você está dando aula pelo tablet.

Quando o planejamento fica junto do cadastro do aluno, com o histórico e os materiais anexados, a pergunta "o que a gente estava fazendo mesmo?" desaparece. E o tempo que você gastava reconstruindo isso, toda semana, volta para você.

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